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VANTAGENS DA SEPARAÇÃO DE RESIDUOS PARA RECICLAGEM

A separação dos resíduos para reciclagem tem várias vantagens ambientais, económicas e sociais:

– Poupança de água e energia,
– Redução da extração de materiais primas,
– Redução das taxas de tratamento de resíduos,
– Redução dos impactes dos aterros e da incineração,
– Promoção de emprego.

 

POUPANÇA DE ÁGUA E ENERGIA

Produzir materiais a partir de resíduos consome menos água e energia do que faze-los através de matérias-primas virgens. Desde logo o processo de extração, tratamento e transporte das matérias-primas tem um consumo muito elevado destes recursos, e a transformação de resíduos em novas matérias-primas têm consumos muito inferiores.

No que diz respeito ao consumo de energia, muitos dos recursos energéticos que se poupam são fontes de energia não renováveis, como é o caso do petróleo, tendo associada também uma redução na emissão de gases de efeito de estufa para a atmosfera.

 

REDUZIR A EXTRACÇÃO DE MATÉRIAS-PRIMAS

Ao utilizar materiais provenientes da recolha seletiva reduz-se a necessidade de matérias-primas virgens, como a madeira, a areia, o estanho ou o alumínio, reduzindo impactes ambientais vários associados à sua extração:

– A reciclagem do plástico contribui para uma diminuição do consumo de petróleo,
– A valorização das embalagens de metal permite poupar minérios,
– Utilizar vidro reciclado na produção de novas embalagens poupa os leitos dos rios de onde são retiradas as areias usadas para produzir este material,
– A utilização de pasta de papel reciclada e a reciclagem de embalagens de madeira evita o abate de milhares de árvores,
– A separação da matéria orgânica dos permite recuperar e valorizar a matéria orgânica para a aplicar nos solos, melhorando as suas características, e reduz a quantidade de matéria orgânica a depositar em aterro, pois a sua decomposição é a principal causa da formação de metano, um gás de efeito de estufa.

São vários os materiais que podem ser produzidos a partir da reciclagem de outros produtos:

Material reciclado

Produtos obtidos

Plásticos

Sacos, tubos, embalagens de detergentes, vasos para plantas, cabides, mobiliário urbano, solas de sapatos, fibras para peças de vestuário, entre outros.

Metais

Bicicletas, trotinetas, bicos de fogão, peças de automóvel.

Papel e cartão

Papel de escrita, blocos de papel, papel de cozinha, papel higiénico, cartão reciclado.

Vidro

Garrafas de vidro, frascos e boiões.

Matéria orgânica

Adubo.

REDUÇÃO DA TAXA DE GESTÃO DE RESIDUOS

A taxa de gestão de resíduos tem por objetivo interiorizar nos produtores e consumidores os custos ambientais associados à gestão de resíduos, variando o seu valor em função do tipo de gestão e destino final dado aos resíduos.

Para além do benefício ambiental, pela redução de consumo de matérias-primas, energia e água, a separação para reciclagem permite também poupar dinheiro, pois o encaminhamento dos materiais para reciclagem permite reduzir a taxa de gestão de resíduos.

Esta taxa está associada aos resíduos que são encaminhados para aterro e para incineração, de forma a penalizar a não separação de resíduos e consequente desaproveitamento destes materiais.

Assim, se um município criar as devidas infraestruturas para a separação de resíduos e os munícipes realizarem essa separação, serão menos os resíduos que o município tem que enviar para aterro ou incineração, e consequentemente, terá que pagar uma menor taxa de gestão de resíduos, diminuindo o valor a cobrar aos munícipes.

 

REDUÇÃO DE OCUPAÇÃO DE ESPAÇO EM ATERRO OU DE LIXO ENCAMINHADO PARA INCINERAÇÃO

A utilização de aterros e de incineradoras para o encaminhamento e eliminação de resíduos têm cuidados e preocupações associados.

Apesar de em ambos os casos se poder ter produção de eletricidade, estas duas soluções devem ser sempre de último recurso, devendo-se fazer sempre a máxima valorização dos resíduos, pela reciclagem.

No caso dos aterros, principalmente pela deposição de matéria orgânica associada, têm associado a formação de metano e de águas lixiviantes. O metano pode ser aproveitado para a produção de eletricidade, como é exemplo o Centro Electroprodutor do Ecoparque do Seixal, da AMARSUL. As águas lixiviantes têm que ser drenadas e captadas, de forma a não correrem o risco de acumulação e possível fuga para os solos e os cursos de águas.

No caso das incineradoras, a queima dos resíduos tem associada a formação de produtos poluentes como furanos, dioxinas, metais pesados e cinzas tóxicas que precisam dum encaminhamento cuidado. A principal vantagem é o desvio dos resíduos dos Aterros Sanitários, reduzindo o problema do espaço, onde o potencial de produção de gases de efeito de estufa é muito maior.

Desta forma, quanto mais materiais conseguirmos encaminhar para a reciclagem, menos terão que ser encaminhados para estes destinos, reduzindo as preocupações a eles associadas.

 

CRIAÇÃO DE EMPREGO

Também na criação de emprego a reciclagem tem vantagens importantes. Um estudo de 2012 identificou que a reciclagem de embalagens emprega diretamente quase 2400 pessoas e gera de forma indireta um total de 7000 postos de trabalho nas empresas que entram no sistema.

in https://quercus.pt/2021/03/10/vantagens/

VANTAGENS ECONÓMICAS DA RECICLAGEM

Que a reciclagem traz benefícios ambientais, ninguém questiona. Mas poderá o sector da reciclagem e da gestão de resíduos ter impactos económicos? Pode a economia ganhar com as vantagens ambientais?

REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR

O que começou por ser uma orientação para a sustentabilidade, os já famosos três R, é hoje cada vez mais visto como um “guia” para novas oportunidades de negócio e um contributo cada vez mais relevante para o dinamismo económico de países e empresas. A viragem para a economia circular não é um claim ambiental, é também um apelo a uma nova industrialização, verde, digital e assente em energias renováveis.

Numa primeira abordagem à questão parece evidente afirmar que da preocupação com o ambiente, decorrem, desde logo, benefícios financeiros trazidos pela poupança que resulta da maior eficácia e eficiência dos sistemas produtivos e consequente redução dos consumos. Uma análise mais atenta a todas as oportunidades decorrentes da industrialização verde em curso permite concluir que os impactos fazem sentir-se também em todo o ecossistema económico.

Veja-se o caso da RECICLAGEM:

O setor depara-se com o enorme desafio de atingir as metas europeias com que o país se comprometeu de atingir 65% de reciclagem de todas as embalagens colocadas no mercado até 2025. A necessidade de acelerar o cumprimento das metas obriga a estudar a cadeia de valor da gestão de resíduos para encontrar novas soluções.

A começar pelo packaging, que precisa de ser mais inteligente, com recurso a matérias secundárias e recicláveis, com mais informação para o consumidor e que facilite o processo de reciclagem quando o produto chega ao fim de vida.

O país tem na INDUSTRIALIZAÇÃO VERDE uma oportunidade para investir em projetos diferenciadores, criar emprego, criar valor para economia e criar mais postos de trabalho numa lógica de convivência integrada entre a política económica e política ambiental.

Inovadores e empreendedores são chamados a participar neste processo de repensar e redesenhar soluções para os desafios com que o setor se depara. Novos negócios nascem e novos postos de trabalho são criados. A economia ganha e prospera.

O programa de inovação aberta da Sociedade Ponto Verde, Re-Source, centrado na economia circular e na transição digital dos resíduos de embalagem, é disso mesmo um exemplo. Vários projetos-piloto com oportunidade de seguirem para implementação, com potencial de gerar mais negócio e emprego.

Também a RECOLHA DE RESIDUOS precisa de evoluir para prestar um melhor serviço ao cidadão e estes possam reciclar mais. É necessário introduzir sistemas de recolha porta a porta, que preservem a qualidade das matérias-primas para reciclagem.

Foi a viragem para a ECONOMIA CIRCULAR, urgente e essencial para a preservação do planeta e dos recursos naturais dos quais a vida humana depende, que permitiu “alavancar” estas novas oportunidades. Os líderes europeus deram um sinal muito claro de que querem caminhar neste sentido e diferenciam-se no panorama geopolítico mundial com a assinatura do Green Deal, também conhecido como Pacto Ecológico Europeu.

Neutralidade carbónica, eficiência no consumo de água, evitar a emissão de gases com efeito de estufa, a mobilidade elétrica, as energias renováveis, as embalagens e os plásticos fazem parte deste plano de ação orientado para a circularidade.

 

Inerente a toda a sua estratégia está a necessidade de olhar para os negócios, serviços ou produtos e aplicar a equação cada vez mais familiar de quem tem como preocupação a sustentabilidade, os já falados três R. Onde e como podemos reduzir o consumo de matérias-primas e, como tal, a produção de resíduos, a possibilidade de reutilização (quantas mais vezes melhor) e o potencial de reciclagem dos materiais usados. É todo um admirável mundo novo que se abre a empresas, Estados e consumidores.

in https://eco.sapo.pt/2022/01/20/como-a-economia-pode-ganhar-com-a-reciclagem/

ECO + Sociedade Ponto Verde, 20 Janeiro 2022

Dia 1

13 de Maio de 2022